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Parceria possibilita resgate social e valorização da recuperação de presidiários

12/02/2010

Luciana Peralta

Repórter

A Penitenciária Professor Ariosvaldo de Campos Pires, de Juiz de Fora, possui atividades para qualificação profissional dos presidiários que possuem bom comportamento. Um desses trabalhos é o aprendizado na padaria, uma parceria com a Essencial Lanches e Refeições Coletivas LTDA desde 2006. Além de possibilitar a remissão da pena dos envolvidos, o trabalho possui importante caráter de resgate social e valorização da recuperação dos presos.

A seleção de quem vai trabalhar é feita através da análise da Comissão Técnica Classificatória que avalia se o presidiário está apto física e mentalmente para exercer determinada função. "São pessoas que talvez não tivessem a oportunidade de fazer um curso profissionalizante lá fora. Com esse trabalho aqui, eles saem com uma profissão, diminuindo a reincidência no crime e aumentando as oportunidades no mercado de trabalho", avalia a gerente de produção da penitenciária, Bruna Corrêa. A cada três dias de trabalho na padaria, o presidiário ganha um dia de remissão na pena.

A Essencial Lanches e Refeições Coletivas LTDA fornece toda a matéria-prima para a confecção dos pães e disponibiliza um profissional para ensinar os presidiários, além de pagar uma remuneração para cada presidiário que trabalha na padaria (esse dinheiro é pago ao estado que repassa para os presos). A penitenciária hoje possui cerca de 400 presidiários entre homens e mulheres. A partir deste ano, a Essencial pretende treinar todo mês outros presidiários para ficarem no banco de reservas.

"Existe um trabalho social muito importante. O preso usa o seu tempo ocioso para aprender uma profissão. A partir dos próximos meses, pretendemos colocar um técnico da Dispropan, nossa parceira, para fornecer um certificado para os presos. A ideia é ensinar uma profissão para que ele saia com mais chances de se inserir no mercado de trabalho", destaca o proprietário da Essencial Lanches e Refeições Coletivas LTDA, Ronaldo Baptista Ramos.

A diretora geral da penitenciária, Ândrea Valéria Andries Pinto, acredita que só com trabalho e educação é que se consegue a recuperação dos presos. "Quem trabalha aqui dentro tem reincidência no crime bem menor", destaca. E acrescenta: "No caso da padaria é uma profissão. É um campo amplo de trabalho e com mão-de-obra escassa porque para ser padeiro tem que ter habilidade. Dos trabalhos oferecidos aqui, esse é o que já forma profissionais".

A diretora geral, Ândrea Valéria, diz que o maior desafio do sistema prisional hoje é acabar com o preconceito de se empregar um ex-presidiário: "Todos merecem uma segunda chance. Agora contamos com o governo estadual em um programa para dar emprego para ex-presidiário. Acho bom divulgar o trabalho deles e o bom comportamento. O preconceito tende a acabar. Neste ano entramos com a meta de humanizar o sistema prisional".

A produção dos pães é feita dentro da própria penitenciária e o fornecimento dos pães produzidos é para consumo da própria Penitenciária Professor Ariosvaldo de Campos Pires, além de abastecer a Penitenciária José Edson Cavalieri e o Hospital de Toxicômanos Padre Wilson Vale da Costa.

Preso há oito anos, C., 26 anos, trabalha há 10 meses na padaria e afirma que essa oportunidade é importante para eles quererem mudar de vida: "Espero aqui dentro aperfeiçoar meu aprendizado para trabalhar nessa mesma profissão lá fora. É uma oportunidade de conseguir um emprego lá fora e mudar de vida. Além disso, esse trabalho ajuda a pagar a pena mais rápido", destaca o presidiário. Com a remissão da pena devido ao trabalho na padaria, C. sairá da prisão para o regime semi-aberto em julho de 2010. A pena sem a remissão seria de 22 anos.

 

 

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