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Maria Helena Sleutjes

 
10/06/2009

Menos lixo



LIXO -  esta coisa que sempre existiu, secundária, descartável, que desaparece logo depois que fecho o saco plástico e o abandono... Será mesmo?  Nada disso, para quem não percebeu, o lixo é hoje, um assunto preocupante pois é um  problema ainda sem solução.

E a grande questão é:  - o  que fazer com tanto lixo? Ninguém sabe.

Eu produzo, tu produzes, ele produz LIXO. Inexoravelmente, todos produzimos LIXO e quase ninguém pensa ou busca soluções para eliminá-lo.

Só o Brasil produz cerca de 230 mil toneladas de lixo por dia. Cada brasileiro gera diariamente uma média de 500 gramas de lixo e este número pode chegar a um kilo, dependendo do poder aquisitivo da pessoa. O povo americano produz o dobro desta quantidade.

Em muitas cidades brasileiras, quase metade do lixo é atirado nas ruas, em terrenos baldios, rios, lagos, e até mesmo no mar.

Você já  prestou atenção a tudo isto?

Mas a questão do lixo é muito mais profunda do que possa imaginar nossa vã filosofia. Nela, está embutido o drama humano de dar sentido a vida.  Nela, estão embutidos os dramas da pobreza que do lixo se alimenta. Os dramas da riqueza  com seus excessos, com seus lixos monstruosos de completo desperdício.  O drama de procurar felicidade na compra de objetos que se avolumam e precisam ser substituídos e descartados constantemente. O drama da desatenção e do descuido. O drama da indiferença e do egoísmo.

Para pensar direito o assunto, seria preciso começar a  perguntar:

- O que querem os seres humanos? 

- O que estão buscando?

- Por que produzem tanto lixo?

Se observarmos com atenção a natureza, sem a interferência humana, podemos verificar que na natureza não há lixo. Tudo é reaproveitado. Não existe desperdício.

Estamos na contramão da natureza. Por quê?

A questão do lixo passa, portanto por uma questão de consciência que envolve  quatro "erres" - Repensar ~ Reduzir ~ Reutilizar ~ Reciclar.

Segundo Marcelo Pelizzoli, professor da Universidade Federal de Pernambuco e estudioso do assunto, há uma angústia revelada no lixo, no seu esquecimento enquanto tema de grande importância para a qualidade de vida dos humanos.  Para ele, o lixo é a sombra de todos nós e como tudo o que é recalcado retorna de alguma forma. Quer queiramos ou não, estamos ingerindo lixo na água que tomamos, nos alimentos que consumimos, no ar que respiramos.

Quase ninguém sabe,  mas o lixo que  é descartado em casa e colocado em sacos plásticos e poderia ser reciclado em 35%. Mas isto não acontece.  Outros 37% deste lixo poderia ser transformado em adubo mas isto não acontece. Normalmente  este 37%  é depositado em lixões, sem nenhum tratamento.  Resta 28% ... O que fazer com esta realidade?

Agir. Aqui e agora. Cada um pode reduzir drasticamente a geração de lixo adotando algumas medidas bastante simples.

Primeiro é preciso perceber que não é preciso sentir nojo do lixo porque normalmente o lixo não é sujo e todos nós somos lixo de alguma forma.

Depois, é tomar coragem e começar, pois esta ação pode fazer muita diferença:

- procure informações sobre o Programa de Coleta Seletiva de sua cidade; se existir, participe;

- evite comprar legumes e carnes em bandejas de isopor;

- dispense o máximo possível as embalagens, especialmente as embalagens plásticas;

- leve sua própria sacola de compras para o supermercado;

- prefira garrafas de vidro às garrafas de plástico;

- ponha no prato somente o que for comer;

- utilize a frente e o verso do papel para escrever;

- participe de feiras e bazares de trocas;

- controle o uso da água;

- desligue os aparelhos elétricos e eletrônicos das tomadas;

- apague a luz onde não houver pessoas.

Transforme o lixo nosso de cada dia numa opção de amor a vida.

 

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9 Comentários

Darlan de Oliveira Gusmão Lula

15/06/2009 - 08:19
A reflexão sobre esse problema tão sério não pode parar nunca. Não damos conta de que isso é um verdadeiro malefício. Acho que a arrogância do ser humano é tão grande, achando ser o centro da vida global, que não pensamos o que podemos fazer para, individualmente, contribuir para aumentar a nossa qualidade de vida. Parabéns pelo artigo e por gerar essa reflexão, Maria Helena! Com carinho, Darlan.

Kathleen Lessa

12/06/2009 - 18:10
Realmente interessante e imprescindível seu artigo, Mª Helena. Parabéns! É inacreditável, inconcebível que o homem cave, petit à petit, sua própria morte. Ele se esquece de que é apenas UMA das peças do MUNDO, da VIDA do Universo. Melhor voltarmos aos seus apreciados "Sanglots"! (rsrs). Beijos, Kathleen

Michael Guedes

12/06/2009 - 16:01
Excelente artigo, Maria Helena...como sempre!!! Seguindo o seu paralelo, o lixo somos nós. Nós é que devemos aprender como nos reciclarmos. Nós é que devemos valorizar a renovação como uma forma de descoberta e não como mais do mesmo. É isso aí: ação.

Magda Trece Ribeiro

12/06/2009 - 15:36
Maria Helena, só mesmo Dona Chuva Nervosa para complementar seu artigo. Estamos em sintonia (como sempre).rsrsrsrs

Bruno Defilippo Horta

12/06/2009 - 13:52
O lixo faz parte da nossa vida e não há como fugir disso. É preciso que tenhamos consciência do que temos feito, a começar pelo chão das nossas ruas. Ao nos voltarmos para nossa consciência e fazer a nossa parte, será um belo início para ajudarmos a melhorar essa realidade. Parabéns pelo artigo, Maria Helena!

Djanira Machado

12/06/2009 - 09:03
O lixo é um assunto muito importante na questão da preservação ambiental e é sobretudo uma questão de educação. Parabéns pelo artigo!!

Leila Barbosa

11/06/2009 - 11:10
O re- dos 4 ítens essenciais significa: de novo, volta, o que quer dizer que nada acaba, tudo re-torna! Vamos pensar bem nisto como fez Maria Helena em seu brilhante artigo, antes de tornar "lixo" muita coisa ainda útil ou muita coisa que pode ser aproveitada pelos outros. Sejamos inclusivos! Parabéns, amiga Maria Helena!

Mauro Portela

11/06/2009 - 10:01
Lixo, dejetos, excrementos, sempre se movimentam de dentro para fora. Saem sempre de um interior para o exterior, quer seja ele do corpo, da casa, da fãbrica, da célula. O que alimenta o lixo é o que vem de fora para dentro. O lixo é o não aproveitável, o indesejável, embora haja quem dele tire o sustento. O indesejavel lixo incomoda com sua presença, então olhamos para ele e damos tratos a bola, para torna-lo útil ou faze-lo sumir de nossas vistas devoradoras do não lixo, que inevitavelmente irá gerar mais lixo. Muito bem, se ao invés de focarmos prioritariamente o lixo, voltássemos nossa atenção para o que consumimos, para o que levamos para o interior. certamente teríamos um bemvindo contrasenso. UM LIXO DESEJÃVEL.

Walter Rios

10/06/2009 - 22:11
Lixo é um dos problrmas mais sérios que prejudica a natureza e o ser vivo, não só o humano. No entanto é uma das maiores riqueza que, ignorantemente o homem possui e despreza, por que tudo pode ser reciclado retornando ao seu estado quase de originalidade, no caso dos materiais inorgânicos, porém a reciclagem industrial é um proceso caríssimo e a própria industria rechaça. Contudo o trabalho de conscientização deve ser constante e efetivo. Parabéns Maria Elena bom trabalho!
 

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