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José Anísio (Pitico)

 
28/10/2009

Sobre o Dia de Finados


Aprende-se a morrer? O tema da morte devia ser matéria obrigatória nas escolas e nas famílias para romper com o automatismo em que vivemos as nossas relações sociais e ter consciência da nossa finitude. Relações sociais do tipo capitalista: nunca, como hoje em dia, a Lei do Gérson faz tanto sucesso: é preciso levar vantagem em tudo, certo? Impressionante! Achamos que somos os tais. Os adolescentes, nada contra, esses então; como eles mesmo dizem, se acham. Fulano é o cara.

Acredito no amor. A vida é maravilhosa, viver é que é complicado. Como diria Renato Russo, é preciso amar as pessoas como se não houvesse o amanhã. Pura verdade - a urgência do amor! Só o amor nos justifica e é o que de fato revoluciona o mundo - o real  e o subjetivo. A gente sempre acha que haverá o amanhã e adiamos a expressão do afeto para um dia qualquer, que pode não existir ou que pode ser tarde demais. Como carecemos de amor (minha carência amorosa comporta vários desertos). O meu problema com a morte é ir inseguro para o túmulo: será que amei mesmo ou fui amado? Existo nos outros e os outros em mim. Sou um personagem de mim mesmo. Enquanto viver quero amar profundamente e ser amado.

Quem não quer? Fontes para beber do amor? Uma boa amizade, as coisas simples da vida, como tomar um gostoso café, triturar ossinho de frango cozido, jogar futebol, torcer pelo Flamengo (principalmente no momento atual), amar minha família, rezar, ter muita fé em Deus (eu tenho). Aqui vale a máxima do Zé  Rodrix: amar meus livros, meus discos e nada mais. Quero sim uma casinha no campo... é claro que a noite pode sim representar um impasse para o nascimento do dia. É preciso, portanto, ter fé para atrair a luz e amanhecer com o dia. Noite-dia, vida-morte. São os binômios da existência, temos tantos outros. A grande escritora Clarice Lispector dizia que não procure entender a vida porque viver ultrapassa todo entendimento humano. A vida que é esse mistério que se desenrola na vivência diária do tempo comum, onde o comum, o banal, a rotina é que contém o extraordinário, o sobrenatural. O amor, então, não está fora de nós, está na nossa garagem, na extensão da nossa casa.

A morte para fazer o amor valer não pode ser esquecida de nossos atos diários. Nem ser colocada debaixo do tapete de nossa consciência. A sua evidência deve servir para alargar nossas possibilidades para sermos pessoas melhores.

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Perfil E-mail: jaspitico@yahoo.com.br
Assistente social, especializacão em gerontologia e em gestão estratégica pública.Trabalha com pessoas idosas pela prefeitura municipal de Juiz de Fora, desde 1988. Integra o Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa. Mestrando em Servico Social/Faculdade Servico Social-UFJF.
 
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