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José Anísio (Pitico)

 
21/09/2009

Estatuto do Idoso: 06 anos de existência, que diferença faz?


Existe uma peculiaridade entre nós sobre a aplicação de leis. É que tem lei que pega e lei que não pega. Exemplo de uma que pegou: a obrigatoriedade do uso de cinto de segurança ao conduzir veículo e mesmo como carona. Uma que não pegou, entre outras, o Estatuto do Idoso. Quantos de nós, o conhece ou já ouviu falar? Poucos.

Será que os principais interessados, que são os idosos, tem conhecimento sobre o Estatuto? A experiência me mostra que não. Então, como exigir direitos se a gente não os conhece? Fica difícil. No mês de outubro, no dia primeiro, o Estatuto do Idoso completa 06 anos de existência. Aparece uma questão inevitável: o que mudou na vida dos idosos com a entrada em cena do Estatuto? No dia-a-dia, o que os idosos conquistaram na garantia de seus direitos socias?  O simples fato da existência de uma lei, como por exemplo, o Estatuto, não significa automaticamente que todos os problemas que os idosos apresentam, a partir de agora, serão resolvidos. Não é bem assim. É preciso mobilização permanente, organização política e realização de eventos públicos que pautem as reivindicações dos idosos e aposentados para que tenham visibilidade na comunidade local e sejam respeitados num contexto social hostil ao envelhecimento.

Problemas seculares não são resolvidos através de decretos. No caso dos idosos, com a existência do Estatuto, o que está em jogo, e o que é de fundo, é que não temos formação cultural através de nossos costumes e hábitos de dispensar atenção e respeito às pessoas idosas. Reforçado por um tipo de  Estado que exclui a população idosa do contexto sócioeconômico ao colocar milhares de cidadãos em aposentadorias irrisórias e indecentes para a reprodução de suas vidas. Que justiça é essa, onde prevalece a lógica de que, quanto mais envelhece, mais pobre fica? O Estado naõ pode se ausentar da proteção social aos idosos. Como quer o Estatuto, a famíla nem sempre está preparada social e financeiramente para dar conta de seus idosos. Aonde estão os recursos públicos de atenção a velhice, principalmente a velhice da classe trabalhadora?

Passar das palavras à prática é dever de mobilização de toda a sociedade, inclusive dos cidadãos idosos, que na minha opinião tem um papel político a cumprir: o de lutar (continuar) pela efetivação de todos os seus direitos sociais: direito à vida, à liberdade, ao respeito, à dignidade, alimentação, justiça, saúde, educação, cultura, esporte, lazer, trabalho, previdência social, assistência social, habitação e transporte. Correspondem a direitos fundamentais porque sem eles, nós não temos condições de sobreviver. Direitos que devem estar no cotidiano dos cidadãos independente da idade deles.

É um fato: o Estatuto do Idoso ainda não está na rotina de vida dos idosos. Por que? Pela indiferença da sociedade e a pouca/reduzida tradição de participação política dos idosos em torno de seus interesses e necessidades. Um alento afinal, como nos entusiasma Marcelo Antônio Salgado, assistente social e gerontólogo da cidade de São Paulo: "se a sociedade inventou a velhice, cabe aos idosos reinventarem a sociedade".

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3 Comentários

pitico

06/10/2009 - 14:09
Caros amigos Fillipe e Guto, muito obrigado pela participação na coluna do reagente. Assistentes Sociais uni-vos! Por uma sociedade para todas as idades! Sucesso para vocês e um forte abraço. Até a próxima comunicação.

Fillipe Perantoni

03/10/2009 - 16:49
Ótimo artigo. Pitico, como sempre, traz uma bela discussão sobre a enorme dificuldade em se garantir efetivamente os direitos dos idosos. Vale ressaltar que necessitamos de mais ações políticas conjuntas entre os diferentes conselhos, para que tenhamos serviços públicos de qualidade na referência a família, na saúde, no lazer, na cultura, e etc. Talvez um primeiro passo seria pautar o idoso como um elemento constituinte das diversas políticas públicas, por hora esquecido, seja por preconceito ou desconhecimento dos gestores e políticos em nosso país, reflexo de uma cultura, como já citado no artigo, de não valorização dos mais velhos. A caminhada é longa, mas desde já precisamos lutar por esses direitos. Novamente parabéns Pitico!

Carlos Augusto

02/10/2009 - 20:31
Grande Pitico! Sempre bom passar por aqui pra refletir um pouco! Pena que infelizmente muita gente nessa sociedade desistiu de pensar né? um abração! Belas palavras!
 
Perfil E-mail: jaspitico@yahoo.com.br
Assistente social, especializacão em gerontologia e em gestão estratégica pública.Trabalha com pessoas idosas pela prefeitura municipal de Juiz de Fora, desde 1988. Integra o Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa. Mestrando em Servico Social/Faculdade Servico Social-UFJF.
 
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