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O reflexo das ações de Villa-Lobos no campo social e musical, o resgate de sua obra tem um marco especial no dia 17 de novembro de 2009, cinqüenta anos da morte do compositor. Entretanto, agosto, considerado mês do folclore, inspira menção especial ao renomado compositor carioca, autor de cerca de 1.000 obras. Considerado, ainda em vida, o maior compositor das Américas, Heitor Villa-Lobos (1887/1959) foi o único compositor do Brasil a conseguir reconhecimento internacional na primeira metade do século XX, e destacou-se ao lado de grandes nomes como Igor Stravinski, Bela Bartók, Manuel de Falla e Serguei Prokófiev.
O folclore é assunto que merece sempre agendamento na mídia, levando-se em consideração que não é apenas uma relíquia. O carnaval, as oferendas para Iemanjá, o ritual da semana santa e outras festas cíclicas e religiosas não ficaram apenas na história e são incorporadas às práticas cotidianas contemporâneas.
Apesar do estudo do folclore ser relativamente recente, 163 anos, podemos considerá-lo como a manifestação cultural mais antiga da humanidade, já que as lendas, os mitos, o artesanato, os rituais eram transmitidos através das gerações, desde os tempos pré-históricos.
As manifestações folclóricas e populares tornaram-se sedutoras também para Heitor Villa-Lobos. A partir de estudos, pesquisas, viagens (algumas consideradas fantasiosas, pois não há comprovações a respeito), Villa-Lobos vai incorporando a música espontânea às suas obras de características eruditas. Isso é evidenciado em suas composições como as Cirandas e as Cirandinhas, que remetem às cantigas de roda (Zangou-se o cravo com a rosa, Todo mundo passa...), os Choros, dentre muitas outras. O Choro nº1, para violão solo, composto em 1920 em homenagem a Ernesto Nazareth, é uma exemplificação da técnica violonística incorporada à música popular urbana do início do século XX.
Vamos atraz da serra, oh! Calunga!, A maré encheu, Fui no Itororó, Pai Francisco, Ó Ciranda, cirandinha, A Pombinha voou e outras peças do cancioneiro infantil brasileiro ficaram eternizadas através do registro na obra Guia Prático. Novamente, ele imprimia à música erudita ambientações e características da música folclórica. Villa-Lobos, responsável pela implantação do canto orfeônico no sistema educacional brasileiro, levava crianças e adultos, professores, a assimilarem a música como poderoso instrumento pedagógico, terapêutico e socializador. Preparando e apresentando grandes corais, que se tornariam as concentrações orfeônicas, constituídos por alunos das escolas primárias, secundárias e do Instituto de Educação, além do Orfeão dos Professores, chegou a reunir até 44.000 vozes.
Provou, dessa forma, a acessibilidade da música mais refinada tecnicamente para um vasto público nem sempre acostumado a freqüentar salas de concerto.
Nas palavras de Heitor Villa-Lobos, "a música folclórica é a expansão, o desenvolvimento livre do próprio povo expresso pelo som" . Assim como o Guia Prático, outras obras como as Bachianas Brasileiras revelam Villa-Lobos como grande folclorista. A grande admiração pelo alemão Johann Sebastian Bach (1685/1750), influências estéticas do período (1930/1945) e esse trânsito pela música espontânea resultaram nas Bachianas Brasileiras, um de seus mais importantes legados. A série Bachianas, em número de 9, apresenta semelhança de modulações e contracantos de peças de Villa-Lobos com elementos técnicos da obra de Bach e exemplificam a linguagem estética como discurso social. Agosto, também conhecido como mês do desgosto, é um tempo propício para a reflexão acerca de Heitor Villa-Lobos e as ricas manifestações culturais populares e folclóricas brasileiras.
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Ah, eu quero! Quero, sim, morrer numa batucada de bamba e lembrando Ataulfo Alves em parceria com Paulo Gesta.
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