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Carlos Eduardo Guedes

 
19/04/2010

Juiz de Fora, é hora de ousar!


No dia 20 de maio de 2009, uma matéria do jornal "Valor Econômico" causou estardalhaço em nossa cidade. Intitulada "O lento declínio de Juiz de Fora", mexeu com os nossos brios ao divulgar estatísticas nada animadoras. Naquela oportunidade, escrevi um artigo para este mesmo espaço do Reagente repetindo o titulo daquela matéria, questionando nossa mania de sempre olhar para o retrovisor e nosso apego ao discurso fracassomaníaco. Mas eis que uma nova matéria, não exatamente sobre Juiz de Fora, me trouxe de volta àquele tema.

No jornal Brasil Econômico do dia 20 de março deste ano, há uma matéria para lá de interessante: "Centros de médio porte lideram crescimento e inovação no mundo". Segundo analistas ouvidos pelo jornal, "as cidades médias não tem os problemas complexos dos municípios de grande porte nem a crônica falta de recursos dos pequenos", de forma que elas seriam flexíveis o suficiente para se adaptar às mudanças da economia, gerando inovação e criatividade. O exemplo maior da matéria é a cidade de Chattanooga, nos Estados Unidos. Em março de 1969, sua população ficou chocada ao assistir o âncora Walter Cronkite anunciar em rede nacional que o local havia sido escolhido como a cidade mais poluída da América. Sede da primeira engarrafadora da Coca-Cola no mundo, a cidade era um ponto de entroncamento ferroviário. Também lá se instalaram indústrias altamente poluidoras. Com a decadência da indústria ferroviária e o fechamento de muitas fábricas, o que sobrou foram as ruínas de prédios abandonados, o desemprego e um alto índice de criminalidade. Como renascer? O que uma cidade deve fazer para não se deixar abater e dar a volta por cima?

A solução de Chattanooga veio da água. A cidade lançou um plano para as margens do rio, que haviam se tornado uma área violenta. Depois, foi criada uma infraestrutura para pedestres, "que incluía um parque de diversões, áreas arborizadas, um museu, um dos maiores aquários do país e um festival anual à beira d'água". Uma velha ponte da época da Guerra Civil foi restaurada como local de passeio. O resultado? Essas iniciativas levaram Chattanooga ao topo das cidades com melhor qualidade de vida dos Estados Unidos. E a matéria não para por aí, pois cita outras cidades que passaram pelo mesmo problema e souberam se reinventar. Nantes, após a decadência dos estaleiros locais, reergue-se, chegando a ganhar o prêmio de "Melhor cidade para morar" da Europa. Alicante (Espanha), Bergen (Noruega), Parma (Itália) e Tallin (Estônia) também seguiram o mesmo roteiro. Ora, por que não podemos também ousar e nos desafiar para que Juiz de Fora se torne um centro da chamada economia criativa?

Projetos e idéias boas não faltam e já estão aí. A revitalização do Rio Paraibuna seria um grande reencontro do município consigo mesmo, a faísca que poderá trazer de volta a auto-estima perdida. O Jardim Botânico da UFJF já é o pontapé inicial para essa mudança de eixo. Ao lado disso, intervenções viárias que desafoguem o trânsito somadas a investimentos no transporte público, ajudariam no dia a dia da população, diminuindo a atual sensação de sufocamento, típica dos grandes centros. Mas por que não ir mais longe? Por que não sonhar com uma nova sede da Biblioteca Municipal Murilo Mendes que, projetada por ousados arquitetos que vencessem um disputado concurso, nos colocasse no mapa nacional, quiçá internacional, trazendo a cultura para o cotidiano da população e demonstrando a nova vocação criativa dos juizforanos?

"Em um mundo cada vez mais padronizado, o diferencial está nos intangíveis. Isso engloba marcas, cultura, criatividade, moda, design, arquitetura e folclore", afirmou a consultora da ONU, Ana Carla Fonseca, concluindo que "quem souber aproveitar essa janela vai melhorar muito as condições para seus habitantes". Que Juiz de Fora aproveite a janela de oportunidades e garanta um amanhã de renovação e orgulho para sua população.

É hora de ousar!

 

 

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