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Deyse Ribas

 
28/04/2009

Como tornar-se resiliente


No artigo anterior, falávamos da resiliência: capacidade humana de viver e desenvolver-se positivamente apesar das adversidades. Muitos de nós, diante das dificuldades, temos a consciência de que há a possibilidade de aproveitar de forma positiva as circunstâncias que nos acontecem. Pessoas resilientes não se abatem facilmente, não culpam os outros pelo seu fracasso, agem com ética, dispõem de bom-humor e energia para batalhar. Não se colocam como vítimas da situação e não consideram como prejuízo as perdas que acontecem. Reconhecem suas vitórias - ainda que pequenas - e são capazes de procurar ajuda quando não conseguem sozinhas. Se você possui essas características, pode se considerar resiliente. Se não, saiba que a resiliência é uma habilidade que pode ser desenvolvida! Alguns fatores podem nos servir como apoio e nos ajudar a nos tornar resilientes.

Basicamente, a maneira como encaramos nossas dificuldades depende do patrimônio genético, das circunstâncias vividas (principalmente na primeira infância), das interações sociais e do auto-conceito (julgamento que a pessoa faz de si própria). Todos temos uma capacidade inata de resiliência. Mas como é formada também por fatores externos, a resiliência pode ser desenvolvida. Por isso é importante que desde pequenas as crianças sejam favorecidas com a presença de pessoas preocupadas com seu bem-estar, com a manifestação de reconhecimento das suas competências e com oportunidades de participação e realização. Somente dessa forma, elas poderão desenvolver competências sociais, capacidades de comunicação, habilidades de resolução de problemas, tomada de consciência da realidade, autonomia e crença no futuro - características fundamentais para se tornarem resilientes.

Grande parte da resiliência, portanto, é estabelecida na infância, a partir das mensagens recebidas e experiências vividas. Mas, mesmo depois de adultos, podemos nos tornar resilientes. Estudos mostram que a resiliência é composta por sete elementos: 1) tomada de consciência (capacidade de identificar os problemas e procurar soluções); 2) independência (capacidade de estabelecer limites entre si mesmo e as pessoas próximas e romper relações de má qualidade); 3) relações satisfatórias com os outros; 4) iniciativa de se controlar e controlar seu ambiente; 5) criatividade; 6) humor; e 7) ética. Sabendo quais são esses elementos, poderemos reconhecer quais são nossas forças e em quais deles temos dificuldades, podendo dessa forma, agir de forma a desenvolvê-los.

Além desses recursos, outros fatores também podem ser considerados geradores de resiliência. Pesquisas mostram que aqueles que puderam comunicar seus dramas a alguém têm uma saúde física e mental melhor, ratificando a importância da comunicação e do apoio social. Também é importante a significação que se dá ao drama sofrido: conseguir encontrar um sentido pra vida e manter um objetivo a ser alcançado apesar das dificuldades. Outro aspecto comum às pessoas resilientes é a capacidade de assumir a responsabilidade pela própria vida, mantendo-se consciente de seus erros, mas reconhecendo suas limitações, evitando se culpar pelo acontecido. Por fim, a compaixão. Ajudar os outros a superar seus desafios também pode favorecer a resiliência porque permite se sentir bem consigo mesmo, superar-se e lutar contra o desespero.

Diante de tantos fatores envolvidos com a resiliência, pode-se perceber a complexidade do processo de tornar-se resiliente. Como a resiliência não é absoluta nem estável, necessita ser encorajada o tempo todo. Ao mesmo tempo, conhecendo as características das pessoas resilientes, poderemos desenvolver aptidões que nos permitam lidar positivamente com nossas adversidades e assumir um modo de vida mais saudável.

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