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Como dizíamos no artigo anterior, o desenvolvimento pessoal de cada cidadão pode ser instrumento para a conquista da cidadania. Dentre muitas habilidades pessoais, destacamos a inteligência, o senso de auto-eficácia, a assertividade e a transcendência como características que nos facilitam tomar atitudes cidadãs.
A inteligência é a capacidade de resolver problemas, tomar decisões, estabelecer e criar projetos, trabalhar em equipe, ser criativo. Um comportamento inteligente é aquele que envolve aprendizagem complexa iniciada de modo independente, sendo orientado para a meta (consciente e deliberado e não-acidental) e adaptativo (dirigido à adaptação às circunstancias e às condições de vida). Dessa forma, podemos considerar o "agir cidadão" como um comportamento inteligente. Já que a inteligência permite que as pessoas adquiram, lembrem e usem o conhecimento; compreendam conceitos e relacionamentos; e apliquem o conhecimento e a compreensão nos problemas cotidianos, podemos dizer que a inteligência guia nossas ações em busca da cidadania.
A auto-eficácia refere-se à convicção que uma pessoa tem de que pode executar com sucesso determinado comportamento para atingir um resultado específico. Funciona como um determinante do modo como as pessoas agem e se comportam: pessoas que se julgam auto-eficazes visualizam a si mesmos executando atividades com habilidades, apresentam boas construções cognitivas para resolverem problemas potenciais, permanecem motivados, despendem maior esforço, são persistentes, envolvem-se com metas e objetivos mais elevados. Dessa forma, a pessoa auto-eficaz tem maior probabilidade de agir ativamente a seu favor ou em favor dos outros. Dessa forma, também a auto-eficácia pode ser entendida como um instrumento de cidadania, sobretudo quando consideramos as dificuldades envolvidas nas ações em prol da cidadania. Quanto mais eficazes nos julgarmos, mais acreditaremos que somos capazes de alcançar os objetivos e mais nos empenharemos nas tarefas.
O comportamento assertivo pode ser definido como aquele que envolve a expressão direta, pela pessoa, das suas preferências, emoções e opiniões sem que, ao fazê-lo, experiencie ansiedade indevida ou excessiva, e sem ser hostil para o interlocutor. É, por outras palavras, aquele que permite defender os próprios direitos sem violar os direitos dos outros. Dessa forma, a assertividade é a própria expressão da cidadania. Pessoas assertivas tratam os outros com respeito, aceita acordos e soluções, vai direto ao assunto sem ser áspero, insiste na procura do seu objetivo. Portanto, podemos dizer que o comportamento assertivo é o meio de lutar pela cidadania.
Por fim, a transcendência diz respeito à capacidade de perceber o mundo além de si mesmo e se sentir parte integrante do universo. A transcendência nos permite perceber que, se sou parte do todo, influencio e sou influenciado pelo o que acontece na sociedade. Se a cidadania está ligada ao esforço social conjunto para o bem comum, então está também relacionada ao desenvolvimento da autotranscendência.
Em resumo, podemos dizer que a cidadania precisa ser construída e não se pode esperar que alguém a faça, senão nós mesmos. É fundamental, então, que usemos nossas habilidades para conquistá-la. Pessoas inteligentes, auto-eficazes, assertivas e transcendentes estão mais preparadas para agir de maneira a conquistar a cidadania.
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