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Carlos Eduardo Guedes

 
15/10/2009

Flanelinhas: somos todos reféns


 Ao ler a matéria da Tribuna de Minas do dia 1º de outubro, intitulada "Reforço contra ação de flanelinhas", fui da esperança à frustração em poucos segundos. A manchete do jornal certamente soou como música aos ouvidos dos inúmeros cidadãos deste país que se vêem cercados por pessoas que intimidam motoristas que desejam simplesmente estacionar seus veículos.

A matéria falava da aquisição de viaturas para o combate a esses pretensos tomadores de conta de carro (digo pretensos, porque, como se sabe, tomar conta de carros é o que eles menos fazem). Depois da abordagem geralmente agressiva ou, no mínimo, antipática, os flanelas dispersam, desaparecem, reúnem-se em bandos, às vezes brigam, traficam (e usam) drogas e, inclusive como já aconteceu com pessoas de meu convívio, podem até mesmo ser os responsáveis por furtos e ameaças. Tomar conta? Não. Trata-se de uma vigarice encoberta pela mais reles chantagem, afinal o furto ou destruição do automóvel faz parte do "serviço" oferecido: um real em troca de paz.

Diante de tal realidade, desta triste situação em que temos de nos ver cercados em ambiente público que deveria ser de todos, qual seria a solução cidadã? Simplesmente atuar contra os flanelinhas, acabar com seus feudos, policiar e agir preventivamente. Há aqueles que dirão: mas eles não têm trabalho, o sistema é mau, temos de respeitar os necessitados que lutam por seu pão de cada dia etc... É um belo discurso, mas não é uma solução. Chega de ideologias que apenas perpetuam o problema. Ou teremos de aguardar a pobreza do país acabar para que possamos nos sentir protegidos? E nem se fale que somente a elite tem carro. Hoje, isto não cola, pois, como se vê até mesmo nos congestionamentos do nosso dia a dia, ser dono de um automóvel passou a ser uma realidade para ampla parcela da sociedade.

Mas onde está a frustração que mencionei no início deste artigo? No final da matéria, o comandante sugere um cadastro dos flanelinhas como solução. Espera aí: cadastro de flanelinhas para quê, cara pálida? Para que eles usem um colete e continuem a nos importunar em seus feudos? Ora, esta alegada "solução" já fracassou em muitas cidades, já que o controle é sempre precário. Chega de meias "soluções". Neste momento em que se aplica a lei para os outdoors, é hora de aplicar a lei para impedir a extorsão diária que tantos sofrem nas ruas de sua cidade. Nada de cadastro, coletes para dizer quem está legal ou ilegal. Qualquer flanelinha está agredindo o direito de ir e vir do outro. Chegou a hora de enfrentar o problema, chegou a hora de o Estado proteger seus cidadãos de bem. É só o que pedimos.

 

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3 Comentários

Simone Pinheiro

02/03/2010 - 22:49
Dr. Carlos Eduardo quando nos dará novas chances de ler seus polêmicos textos! Escreva mais ok?

André Vidal

21/02/2010 - 12:39
Reveja sua postura à respeito dos flanelinhas. Confesso que desanimei de ler o seu artigo no final do segundo parágrafo, onde me assustei com o que escreveu: "Trata-se de uma vigarice encoberta pela mais reles chantagem...". O senhor é instruído, escritor e ...professor!, meu Deus... Concordo com o comentário abaixo.Enquanto você se sente reféns deles, há realmente quem ameace e atrapalha os outros, sim, mas vejo tanto pai de família colocando comida dentro de casa com esse um real que tira tanto a sua paz. Uma vez presenciei um deles que havia recebido uns trocados de um carro de bacana, que me disse: "hoje meus filhos vão beber leite".O Comandante tenta apenas dar uma solução humana e até mesmo cristã sobre o caso. O seu texto sugere nas entrelinhas, o que muitas cidades tentam fazer com os moradores de rua, levando eles à sua cidade de origem, para que a cidade passa a ter uma "boa aparência" e, com isso, mostre um status de civilidade. Estou com vergonha desse texto!

Nara Pinheiro

24/11/2009 - 22:40
Eu acredito que a aparência e a situação social dos flanelinhas é o que realmente te incomoda, afinal não acredito que você se indigna tanto com os pedágios que paga para uma bela atendente. É direito de todos desfrutar de boas estradas e segurança nas mesmas já que pagamos tantos impostos, mas ninguém se importa de pagar de novo pelo mesmo serviço quando ele é cobrado com sorrisos, correto? Sou contra generalizações e não concordo com sua opinião, que retrata uma experiência pessoal que não foi boa talvez pela relação traçada entre você e o flanelinha. Já eu agradeço por ter o Paulo, e outros que encontro pelo caminho, que me ajudam em muitos momentos. Todos querem se dar bem, mas só os peixes grandes conseguem fazer isso legalmente, você é advogado, deve saber melhor do que eu.
 

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