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Ao ler a matéria da Tribuna de Minas do dia 1º de outubro, intitulada "Reforço contra ação de flanelinhas", fui da esperança à frustração em poucos segundos. A manchete do jornal certamente soou como música aos ouvidos dos inúmeros cidadãos deste país que se vêem cercados por pessoas que intimidam motoristas que desejam simplesmente estacionar seus veículos.
A matéria falava da aquisição de viaturas para o combate a esses pretensos tomadores de conta de carro (digo pretensos, porque, como se sabe, tomar conta de carros é o que eles menos fazem). Depois da abordagem geralmente agressiva ou, no mínimo, antipática, os flanelas dispersam, desaparecem, reúnem-se em bandos, às vezes brigam, traficam (e usam) drogas e, inclusive como já aconteceu com pessoas de meu convívio, podem até mesmo ser os responsáveis por furtos e ameaças. Tomar conta? Não. Trata-se de uma vigarice encoberta pela mais reles chantagem, afinal o furto ou destruição do automóvel faz parte do "serviço" oferecido: um real em troca de paz.
Diante de tal realidade, desta triste situação em que temos de nos ver cercados em ambiente público que deveria ser de todos, qual seria a solução cidadã? Simplesmente atuar contra os flanelinhas, acabar com seus feudos, policiar e agir preventivamente. Há aqueles que dirão: mas eles não têm trabalho, o sistema é mau, temos de respeitar os necessitados que lutam por seu pão de cada dia etc... É um belo discurso, mas não é uma solução. Chega de ideologias que apenas perpetuam o problema. Ou teremos de aguardar a pobreza do país acabar para que possamos nos sentir protegidos? E nem se fale que somente a elite tem carro. Hoje, isto não cola, pois, como se vê até mesmo nos congestionamentos do nosso dia a dia, ser dono de um automóvel passou a ser uma realidade para ampla parcela da sociedade.
Mas onde está a frustração que mencionei no início deste artigo? No final da matéria, o comandante sugere um cadastro dos flanelinhas como solução. Espera aí: cadastro de flanelinhas para quê, cara pálida? Para que eles usem um colete e continuem a nos importunar em seus feudos? Ora, esta alegada "solução" já fracassou em muitas cidades, já que o controle é sempre precário. Chega de meias "soluções". Neste momento em que se aplica a lei para os outdoors, é hora de aplicar a lei para impedir a extorsão diária que tantos sofrem nas ruas de sua cidade. Nada de cadastro, coletes para dizer quem está legal ou ilegal. Qualquer flanelinha está agredindo o direito de ir e vir do outro. Chegou a hora de enfrentar o problema, chegou a hora de o Estado proteger seus cidadãos de bem. É só o que pedimos.
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