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Carlos Eduardo Guedes

 
21/08/2009

Música de restaurante


Sou um amante da música. E isto tanto é verdade que escrevi um livro (o último) que trata, entre outras coisas, da música em suas várias vertentes, desde a pop até a clássica. Por isso, sou tão crítico quando vou a restaurantes e colocam aquela musiquinha de fundo ou um DVD para rolar na TV de plasma com algum show. Para mim, a experiência de sair, comer e me divertir é muito importante, afinal não saio só para eliminar uma refeição, mas para encontrar aquele momento perfeito para o qual convergem a gastronomia e a cultura.

Comecemos pelos restaurantes italianos ou pizzarias. Por que eles sempre têm de colocar aquele cd da Laura Pausini ou o do Renato Russo? Uma vez, tudo bem. A segunda, ainda vai. A partir da terceira, já não dá, é caso de desistir do restaurante e nunca mais voltar. Por que acham que a música da pizzaria tem de ser necessariamente italiana? Será que na Itália eles só escutam Laura Pausini e, estranhamente, o brazuca Renato Russo? E o pior é quando a repetição ocorre no mesmo restaurante (é como se eles só tivessem um CD para todas as noites).

Outro problema sério é o estilo “cover”. Concordo que Emerson Nogueira, Dani Carlos e outros sirvam como coringas, agradem a todos com seus hits de clássicos de todos os tempos em estilo acústico. Mas, para mim, já chega. Vou a um restaurante japonês, está lá Emerson Nogueira mandando “Wish you were here” do Pink Floyd com seu violão. No fim de semana seguinte, vou a um boteco, e lá está a Dani Carlos tocando “Wish you were here” com seu violão e malabarismos vocais. E assim será em vários bares e restaurantes, seja qual for o tipo de culinária ou decoração.

Música barulhenta também não rola, especialmente axé com a pulação desenfreada de Ivete Sangalo ou Cláudia Leite. Aquilo acaba com a paz do freguês. O DVD da Ana Carolina com o seu Jorge é caso de eliminação sumária do estabelecimento.

Na verdade, meu sonho é combinar com o Sindicato dos Bares e Restaurantes o seguinte: incluir na Convenção Coletiva (que é uma espécie de lei aplicável somente àquela categoria – desculpe o cacoete de advogado...) uma cláusula estabelecendo multas para a repetição de CDs e DVDs nos estabelecimentos. Será que ninguém nunca pensou nisso? Seria a solução para o meu desconforto em vários lugares. Livraria os garçons do ambiente insalubre de músicas chatas e repetitivas. E me livraria da tortura de ouvir “strani amore, fragili, prigioneri liberi” enquanto como uma pizza de calabresa...

 

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1 Comentário

Leticia Brandão

22/09/2009 - 10:13
Muito bom! Música boa, que combine com os ambientes, que não aborreçam e não chateiem nem atordoem os sentidos. Muito bom!
 

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